quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Nada sei.

Ah, como é doce a loucura de não saber viver. Vivo mesmo porque nada sei, se soubesse mesmo não teria graça. Sinto em mim o sabor da criação. Vem de dentro pra fora, como a vida que carrego comigo. Vejo na criação vida além da vida. Vivo mesmo porque crio. Crio a mim, crio o ar que me cerca, crio o mundo e com ele meus maiores medos. Crio o fraco e o temeroso, crio o forte e o sábio, crio a linha do horizonte, crio a minha criação. Quando penso é que vivo. Penso antes mesmo de viver. Pensar é minha luta diária. Se penso em mim perco o foco e a essência. Penso no inimaginável, só assim alcanço o poder da criação.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Demasiadamente longe.

Senhoras e senhores, digo em antemão:
Fogueira abrangendo todo o tempo e espaço que abrange a escuridão.
O mais longe que tu podes imaginar.
Pós-vida e muita terra a andar.

Aqui espero por vós, meus caros
É de tranquilidade um clima raro
Caminhar rebelde entre a noite
O melhor que já tive já mandei a ti.

O espetáculo perto de começar
Mãos e chapéus a se esticar
É a hora tão esperada
A noite fez sua chegada.

Arte e paixão ardente
Jovens e inconsequentes
O laço e o amor não têm
Não te esqueças que quem te ensinou sabes bem.



sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Entardecer.

Brilho e sedução
Escuro e tranquilidade
Marcas vivas da liberdade
Que almejamos dentro do coração.

O vento sopra e eu não preciso de proteção
Me arrisco e pulo em qualquer canto
Continuo me arriscando
Mas às vezes queria que me desse a mão.

Noite envolvida e ardente
Na face um sorriso sem cessar
Preferia ali mesmo estar
Parecia inconsequente.

Eu gosto de abraço
Das estrelas só pra mim
Do calor de cada passo
Do momento que estende o fim.

O destino é certo
Acabo começando a crer
Quando me sinto mais perto
E posso sentir o entardecer.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Orbe.

Tomo em minhas mãos um pouco de luz. Cega os olhos mas abre a alma. Mergulhando ao mais profundo, saltando ao mais extenso. Melhor que testar os próprios limites é passar por eles e sentir o calor que queima e aquieta. Como os vestígios de um trem. Como as folhas a cair. Como o saber tudo e não conhecer nada. Como chegar sem saber onde. Como escrever desconhecendo linhas e palavras. Não me arrisco a dizer que quero tudo. O tudo é demais para quem caminha pra descobrir o que há. Quero somente aquilo que se escondeu e não mais se encontra. Quero aquilo que desconheço mas domino com exatidão. O cômodo me enoja. Corro atrás do impossível.

Segredos vermelhos.

Escrevo em metades porque foi tudo o que me deixou. Respiro verdades mas não sei a verdade de quem sou. Parece estar mesmo contigo. Parece não ter se perdido. Pode não parecer nítido e não ser o certo, mas ainda assola e ensanguenta. Barrados por vidros, fechados em cicatrizes, secretos e indefinidos como as marcas em seus lençóis.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Intitulável.

Tu que chegas inquieto, fazendo demasiado alarde: peço apenas alguns minutos de atenção. É que com tua chegada acabei por me assustar. Não posso continuar observando tudo a tua volta passar a não ter uma palavra que seja a respeito. Digo porque a vida me ensinou que observar é o melhor caminho pra aprender. E é, eu pude aprender. Sei que é desconhecido o que vê, sei que quase nada é compreendido. São sombras de dor e de loucura, mas que estendido o caminhar é visto com maior nitidez: é tudo aprendizado. Pois então aprenda, e valorize o silêncio. Um corpo que se silencia entende a fundo o que a alma tem a dizer.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Tempestade e vendaval.

Sangrarias tu pra chegar acima?
Descansaria tu entre as cruzes no alto da campina?
Tuas mãos se elevariam junto à Lua
E clamaria em alta voz a verdade crua
O sangue ao teu lado permanece a jorrar
Aquela triste mulher, desejava apenas se libertar
Diante de símbolos se instalou
Chorava constantemente, e então o vento soprou
O contato esperado se fez
Dizia ela que o sexto sentido havia chegado de vez
Levantaria ela pra se esconder?
Ela sabia a verdade, e não poderia a conter
Queria ela sentir o sabor de sua alma
Com o sangue escorrendo se sentia mais calma
Liberdade encontrou onde menos procurou
Tempestade e vendaval, o seu corpo entregou
Entre a cruz e a espada
Fechou os olhos, sentia água e fogo
Mais nada
Fim do jogo.

Realidade e lembranças.

Estendo sobre a cama minhas velhas palavras
A pele ardente e ainda cheia de marcas
O passado ausente enquanto eu viver
Banhando-me de luz até o sol adormecer.

Sobre pedras e rochas eu caminhei
Pés cansados mas ainda vivos
A lembrança que trago comigo
O que quero já nem sei.

Ia me esquecendo:
Deixei guardado o amuleto
Acho que só pegarei quando a lua vier nascendo
Junto com a pedra bordada em preto.

Rascunho dos sonhos
Por enquanto tenho sorte
Caminhando sem planos
Antes de partir rumo sul ou norte.

O que mais poderia eu pedir?
Por todo o tempo te ver sorrir
Sentir teu calor em minhas mãos
Caminhar contigo sem direção.


Anoitecer.

A tal realidade vem bater-me a porta;
Eu paralisada, ainda toda torta;
Gritando sem falar o que me enfraquece;
Pranto após pranto, e tudo então se emudece;
Todos partiram e eu ainda aqui;
Lembro que estava ao seu lado a última vez que sorri;
Seguro forte o amuleto que de você ganhei;
E sonho sonhos que toda noite sonhei;
Eram belos e faziam-me pairar;
Queria eu que fossem reais pra eu de uma vez acreditar;
Que dobrando a esquina ainda ou te ver;
Que de mim você não vai esquecer;
Que permanecerá forte o que você sente;
E que nunca se esgotará o que existe entre a gente;
É você que eu imagino comigo;
Lutarei por vidas, mesmo que pra muitos não faça sentido.

Conceito.

Não quero permanecer de pé se não puder caminhar. Não quero mais conter o pranto se é ele que me arranca da alma o grito. Eu não. Se não puder caminhar prefiro que me arranquem o sopro. Mas se não puder gritar também não vou me emudecer. Não nasci pra viver sobre o mundo que vocês criaram. Pelo contrário. A razão de ter chegado onde estou é que mais que outra coisa nasci pra viver as minhas verdades, pra não agradar se assim for preciso. Invento palavras ao vento, o vento que sopra me serve de alimento, fecho os olhos, me emudeço e vivo. Vivo aquilo que  sou, vivo aquilo que inventei, vivo aquilo que nem sei.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Marcas.

Pranto que não se finda ao anoitecer. O tempo que resta vai se esgotando. Entrego a minha vida, e o que vier depois disso será apenas morte, até que o Futuro chegue a nós. Morrerei em mim e viverei somente em ti. Te chamarei ao amanhecer, ao entardecer, ao anoitecer, ao olhar pro céu e resgatar marcas que você me deixou. Ao soprar do vento sentirei a tua presença. Dias e noites a escrever como se dissesse a ti. Um vazio que fica, um pedaço que falta.

Sinais em vermelho.

Ninguém ali me parece de verdade. Elevo-me para longe, e posso sentir o que me falta. Marcam a chegada estendendo o pano vermelho, narram para os outros a sabedoria que não têm. Estaria eu segura aqui a esperar a pronúncia da palavra liberdade. Seus tetos se quebram e sua presença passa a ser ignorada. Não sabem o que querem e nem o que são. Falta-me algo, mas sei exatamente o que é, e também o que sou. Não seja diante de mim aquilo que não pode ser, te recusarei e me fortalecerei com seu sangue.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Parece vazio.

Parece já não ter tanta coragem. Deixou que o tempo levasse aquilo que tinha, e já não dá mais a cara pra bater. Não enfrenta mais a noite com o brilho de um poeta, são secas e frias as sensações que deixa. Mas lembre, o que nasce puro no peito nunca morre, há sempre um brado a ser solto, há sempre algo de mais e inesperado no fundo da cartola.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Fim do dia.

Luzes se apagam e vozes se calam. Novo mundo se cria. E eles estão por todos os lados. Não sei o que dizer, mas é certo que preciso falar. Mas me calo e apenas ouço. A sensação que o silêncio traz é a mesma de tempos atrás. Onde antes havia brilho e certeza agora há uma dose de incapacidade. Como entender a vida se ainda não entendo porque permaneço nela? Parece que vou perdendo o gosto. O gosto que me pertencia era necessário, mas tudo é tão incerto que talvez já nem seja mais. Substituo sangue por água, água por consciência, consciência por palavras. Os grãos continuam a cair e a luz já não tem mais tanta força. Preciso daquilo que um dia me pareceu ilusão, preciso das folhas que deixei permanecer ao chão.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Improvável.

Decifrar o que digo é inalcançável a aqueles que se contentam com o superficial. Eu não, quero infinitamente mergulhar no mais profundo, quero inquietamente caminhar sem me conter dentro de mim. Porque a minha raiz alimenta somente a mim, e é nela que está o desconhecido que me leva à caminhada. Se o que quer está no inatingível saiba que estarei por lá deixando estupefatos os que antes deixei pra trás.

O que há de novo?

Novo não é. Era o destino que aguardava a mim. Era esperado, porém ocorreu algo de novo. Lábios ardentes, os últimos segundos da última fase da primeira etapa. Palavras estranhas e uma sensação de estado gélido. Assim como as obras de arte o amor nunca termina. Assim como a saudade a necessidade floresce. Traços que me parecem estranhos. O que há de novo? Os lábios emudecidos. Precisavam dizer algo, mas acabaram por se sufocar. O tempo estende o sopro, desejo de correr e incapacidade de sair do lugar. Voar na extensão do olhar, escrever seguindo um trajeto e não interromper. O que há de novo eu já nem sei. Sei que estarei na hora em que a hora  chegar, sei que lembrarei sempre sem que precise eu querer reinventar. O que há de novo se esconde. Sei que fui bem e sempre cheguei  mas não quero novos remorsos regressando no momento em que estou. Olhando para dentro e sentindo vertigem.


(desenho original)

Já é tempo.

Tempos em que a luz abrangerá além da visão;
Tempos em que a água desce e nutre;
-sorriso face a face a toda face que entre.

Tempos de lucidez e extrema loucura;
Tempos em que mais e mais aprendemos;
-o laço e a luz é tudo que temos.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Certo devaneio.

O litoral e toda a sua relevância, as mãos dadas e os olhos cheios de esperança. Tínhamos uns aos outros, tínhamos a força de quem nunca deixa de lutar, tínhamos a vida inteira. Caminhávamos para encontrar o por do sol, juntos sempre juntos, as mãos não se soltavam, os risos aumentavam, descobrimos a liberdade com um gosto diferente. A liberdade era o infinito dentro de nós, mergulhávamos em nós mesmos como o vento que movia as águas. A liberdade estava onde não podíamos tocar, onde só o que se podia era sentir. Cada passo se fortalecia, o tempo fazia questão de parar pra gravar cada momento, tudo em perfeita harmonia, o brilho dos olhos refletindo na agua e junto com ele alguma coisa chamada de amor nos incentivava a prosseguir, que sensação inexplicável. Não tínhamos nada, mas tudo o que precisávamos estava onde ninguém além de nós podia chegar: o fundo de cada coração. O inalcançável estava sob os nossos pés. Éramos mais, mais que qualquer dor, angustia ou medo, éramos juntos um só, formando uma única alma, um único corpo e um só coração. Corpo alma céu e mar.


  Por Sarah D. & Ludmila Firmino.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Portas e janelas.

Assim como não pedi teu silêncio não pedirei tua palavra. Eis que partiram e por onde andam não os vejo mais. Eram a luz, e hoje são o vazio. Parti também pra longe, minha ausência não sei se ainda sentem. A cada passo mais distante, a cada passo menos visão do mundo o qual pertencem. Digo coisas poucas, mas não sei se podem ouvir. Portas e janelas e um mundo diferente. Digo meu adeus.

Águas e águas.

Água que vem do céu. Água que vem do coração. Água que escorre junto à face. Água sobre tudo o que percorremos. Água sob os nossos olhares. Mantida e perdida. Água que nos toca e nos dá a mão. Água corrida em segundo vividos. Água que ilumina o verde dos olhos e da composição. Água que guarda a memória. Água de amor. Água de dor. Somos também a água que junto de nós cai, e com ela corremos ao infinito de amor e desejo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Insônia.

Perco o sono e a rigidez. Mergulhar em si nem sempre é o melhor a se fazer. Consciência tanta que até se perde por onde passa. Talvez o fim seja onde tudo se inicia. Talvez como a vida, a morte seja também um sonho. Desperto em mim o que não se cala, que luta e que brada. O tempo mais que passa, e eu sem saber acabo por não alcançá-lo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O até logo.

Explicar o que sinto não cabe a mim;
O dia cinza e o vento que me guia por onde nem sei;
Daqui a alguns dias onde estarei?
A calma despedida de momentos assim.

A cada dia um novo adeus;
Sem prazo, sem pressa;
Enquanto o tempo passa;
Passamos um bom tempo juntos.

A capa da liberdade é o que nos cobre;
Nosso legado é permanecer sempre voando;
Vivendo e sentindo e observando;
Esperando enquanto a luz nos envolve.




-Por Sarah D. e Thales Diniz (http://thalesdiniz.blogspot.com/)

Eu sou.

Eu sou o ar e a liberdade;
sou a sombra que me guia;
sou morte e sou vida;
sou o adeus e a saudade.

Eu sou o espelho a refletir;
sou as rodas que me aprisionam;
sou tudo o que questionam;
sou o meu olhar a sorrir.

Eu sou o que não podem ver;
sou a luz esquecida;
sou a imagem retorcida;
sou aquilo que pedirá pra esquecer.


domingo, 4 de dezembro de 2011

Ocultar sob a terra. #

Tô indo embora, mas ainda não sei pra onde. Noites sem luar, lágrimas perdidas, caminhada estendida. Tardes passadas estirada ao chão, enterrada sob as falsas conclusões do mundo lá fora, vendo a hora passar e morrendo a cada segundo. Passo a passo e um pouco mais de peso, um pouco mais de saudade do que ainda tenho por perto. A força que trago comigo é tão grande quanto a vontade de lutar, mas acontece que ao caminhar sinto sob meus pés entraves irreversíveis. A solidão das lágrimas dos céus e um pouco de luz me dão a estrada. Me estendem um lado, mas anseio pelo outro. Sinto e vivo e morro durantes as horas que correm sem frear.

"Ditos loucos"

De que é aquela imagem refletida no espelho? Não tinha eu tal aparência, não tinha eu aquela crueza no olhar, não tinha eu nada daquilo. A vida as vezes nos faz desconhecer o conhecido, admirar o temido, se transformar no que não se é. Sensações e sentimentos. Os que não os sentem são ditos loucos. O que pode o mundo julgar loucura? Loucura maior é a coragem que se tem de morrer a cada dia. Fugimos então do que julgam ser normal. Apenas um sentimento. E é ele o que guia. Se a ausência de todo o resto é loucura então que seja, me envergonharia se me dissessem um dia que pareço normal.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Malabares.

Sinos e correntes
Treva e luz
Criaturas inocentes
O campo que a alma conduz.

Tomo frente à direção
É minha a água que bate
Tamanha sensação de realidade
Realidade boa que nos forra o chão.

Saltando sobre as árvores
Meu coração e o teu
Sustentados pelos pilares
Sentimento que não se rendeu.                                                                                  

O tempo vem trazendo o calor
Livres ao ar saltando em saudade
O amor que é vida, e a liberdade
Despindo-se do mal e de todo o pudor.
                                                
                                                                                                                                                                                                 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Paradoxal.

Vejo a mudança pelo seu lado escuro. Preciso aceitá-la, pois passou a me pertencer. Mas parece tão fora de mim que perco a consciência. Ainda existe em algum lugar aquilo que era eu, só que adormecido. Perdida me encontro e me perco, caminho e rastejo, me calo e mantenho o brado. Sou tanto mistério que as vezes nem eu sei o que há por trás de cada um deles. Deixo de tentar entender e passo a sentir. E se for pra cair, que ao menos eu tenha consciência.

Bring.

Traga para perto de mim a esperança
Aquela que ainda não perdemos
Aquela pela qual lutaremos.

Traga para perto de mim sua face
Aquela que eu admiro todos os dias
Aquela onde eu encontro alegria.

Traga para perto de mim aquelas luzes
Aquelas que brilharam para que tudo se cruze
aquelas que eram o seu interior.

Traga para perto de mim aquelas recordações
Aquelas que usaremos para não perder as razões
Aquelas que fizeram de nós realizados.

Traga-te para perto de mim.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Fortaleza humana.

Um dia terei mais de perto o brilho das estrelas que da janela eu avisto. A barreira que me afasta de mim. Paredes abafam o que eu sinto. A prisão que não tem grades ou chaves. Transforma minha face e meu interior. O verde não me oca, a luz quase não me vê, a noite já não me reconhece. Fujo de mim. Acima do que avisto parece ser mais belo. É onde irei. Abro a janela e deixo o ar correr, ele é livre, e me admira tamanha liberdade.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Água e ar.

O corpo flutuando na água e no ar. A mente tranquila lembrando e apreciando a energia. Folhas e águas inquietas em busca de liberdade. O vento forte ofusca seus sentidos, e elas se libertam sem perceber. Liberdade é tudo o que precisam. É do toque do vento quando suave até o horizonte espelhado. Liberdade é voar sem temer o destino, é maior que já possas ter sentido. Liberdade é caminhar rumo ao topo da montanha e depois banhar-se vagarosamente onde as sensações se represam. Liberdade é tudo que eu nasci pra ter, em seu sentido amplo e belo. Quando entregue a essa liberdade não se quer conhecer nunca mais o mundo dos outros...

Tudo e nada.

Quando os semelhantes a nós se isolam é porque sabem a responsabilidade da luz. Veem a água se refletindo, as ondas conduzindo tudo que se encontra. Se agasalharão com a capa escura e darão importância ao que se tem. Mas antes pagarão por tudo, e terão que enfrentar o tudo reverso. O perfume encobre os bons pensamentos para não tê-los roubados. O sol escolhe por se deitar. Ninguém em perfeita sobriedade seguiria esses passos. Balas roubadas e gotas insanas de chuva. Armam armadilhas pra prender atenção. Não contar com ninguém e nem pra ninguém. Apenas seguir o que se segue..

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O preço.

Parecem ser poucos os que permanecem por verdadeiro afeto. Os outros a quem eu confiei partiram e não disseram pra onde iam nem se pretendiam voltar. O mundo ao redor já não traz tanta inspiração. Busco palavras poucas onde antes transbordavam, e aprecio o sabor das últimas gotas. Já tive vontade de partir, mas permaneço aqui. Já lutei mesmo sem força, e hoje não desejo guerra alguma. Já fui utópica demais, e agora pretendo manter os pés mais próximos ao chão. Aquele que me observa comigo lamenta. A mente adquire sabedoria mas perde a destreza de saber lidar com as palavras. Falta-me um pouco mais de paciência.

Ontem e hoje.

Traçam pra você um pontilhado, e querem que siga por ele até que tudo se acabe. Fecho a porta da minha vida pra vocês, e sigo meu caminho. Um livro não é a sua capa, o amor não é feito de palavras, um sonho não precisa se limitar à designação sonho. Como uma folha que se solta de todo o resto, e segue até onde sua luz a leva. Talvez alguns metros no trajeto, talvez um pouco mais, talvez o infinito. O que a move são os valores adquiridos e a liberdade que anseia. Um dia que se emenda a outro, e a outro, e a outro. Tempo que dispara e modifica. Razão esquecida, habilidades perdidas. Amanhã é só um dia igual a hoje. A vida por enquanto é imposta por aqueles que não conhecem o que é se encontrar quando perdido. A eles é que digo: não me importo. Encontro a felicidade nos pequenos detalhes. A limitação não me aflora. Vou além do que posso, desejo além do que me é possível.

Sun Is Shinin.

Quando longe de todo a opressão cabeça e coração se alinham. Água ao perder de vista, verde que tranquiliza. Com a verdadeira paz. Criaturas se aproximam com a fumaça do incenso, trazem recados e ensinam um pouco mais d que há de melhor. O mundo flutuando como num pequeno barco. A luz vinda do farol é tamanha que faz os olhos faiscarem. Por segundos o universo então se cala. Os únicos sentidos restantes são o tato e a audição. O vento sopra calmamente instigando o corpo a correr, atiçando a pele com seu toque suave. Estabiliza o equilíbrio com seus lentos ruídos sobre o eucalipto. Água fazendo um irrecusável convite, repousando calma como numa rede a balançar. O estágio em que tudo que se pode desejar é estar em contato. Com o verde, com o azul, com o cinza e preto. Jah Bless!

Afterlife.

(11/11/11  -  11:11am)

O sonho de nunca ter chovido
Gotas flácidas de dor
Na espera de ser surpreendido por
Um sopre gelado, deixando o corpo rendido.
Neste mundo nunca fui pertencido.
O ser humano de súbito não resiste,
Entrega seu corpo e não mais persiste
Vida após a morte,
Acabei por não partir.
Vou pedir um pouco mais de sorte,
Para que eu possa resistir.
Todos olharão,
A luz vai reluzir.
Dizem lutar pela liberdade então,
Já que precisam mesmo estar por aqui.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Vida e morte.


Deixar que o corpo apague sem perceber. Tirar dos olhos o inchaço e permanecer nesta prisão. Aprisionaram meus sonhos e a vontade de continuar. Não há mais nada por aqui. Quando tento trazer à mente aqueles sonhos de pouco tempo atrás tudo começa a sucumbir. O que era ontem não existe mais hoje. O corpo caminha vazio e a mente vive arquejando. Não arquejando a vida, e sim o que será vivido na hora de seu oposto. Duas faces na mesma moeda. Vida e morte. Viver para morrer e enfim viver. A única certeza. O coração de alguma maneira deixará de bater. A vida então se iniciará. De olhos fechados e com o corpo imóvel, correrei sem remorsos pro mais belo campo onde quero descansar. Me perdoe se em algum momento eu desaparecer. é que quando fecho meus olhos e me afasto do mundo encontro a paz que procuro.

A Palavra.

A palavra só tem valor a partir do momento que se lê. Se foi lida é absorvida pela complexidade da mente. Se ainda está para ser lida teoricamente ela ainda não existe no universo de quem não a leu. A palavra é a doce comunicação da alma. É o legado de quem nasceu pra compreender. Mas a palavra não necessita de total compreensão ou de entendimento, o devido valor é dado à alma e ao coração de quem as registra. O que querem dizer é sim importante, mas para cada ser é dada uma visão diferente. Palavra é mistério. palavra é mais que comunicação. No instante em que ocorre engrandece a sua existência, porque ela mais que existe, e não há nada mais valioso que ser o que se é. E a palavra é. A palavra e a mente de quem a cria não adormecem nunca. Mesmo que ainda não tenha se iniciado seu processo de existência até chegar ao ser, o devaneio de se sentir completa é tanto que é palavra é antes mesmo de ser.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Verdadeiro e falso.

A visão do inferno pude ter. Bomba atômica que quando se aprende a dominar vai além do que se pode chamar de infinito espiritual. O que o grande óleo proporciona de poder não é nem um terço do poder dado aos cuidados pelo mestre. Mentes vingativas, porém fracas demais para mover nem que seja os dedos. Aquele para quem o choro é negado sabe que isso é dado pela sua capacidade de discernir o verdadeiro e o falso. Choro que escorre na dor real tem poder de curar a pressa que os destrói. Quatro vitrais são as paredes do cemitério que os manténs na retaguarda. Seres fracos e saborosos. Virarão fumaça quando sua hora chegar..

domingo, 6 de novembro de 2011

Quatro vitrais.

Causando súbito atropelamento para todos os seres localizados entre os quatro vitrais. A luz que os conduz ao alto, os aprisiona e corre bombardeando as saídas. Se o que buscam é a imortalidade terão que suplantar todo o mal existente em si e colocá-lo à exposição, mostrando-o como um troféu. O brinquedo do mestre. Bola que quica, quica, quica.. Só os sábios a veem. Eles que sentem acima de todo o resto. Os que tossem para sentir em seu interior a luz gelada que os energiza. São poucos. São raros. Identificados pela luz nitidez. Eles podem mais. Se superiorizam pela eternidade dentre os quatro vitrais. As paredes desse louco cemitério.

NIGHTMARE.

Parece que se vai lentamente perdendo o chão. Por minutos realidade confundida com extrema loucura. O desespero em si é o maior dos riscos, faz perder a conciência.Um maldito pesadelo. Entre e se assuste. Busque e não encontre. Sangre buscando alívio. Se encoste e pessa então que tudo termine. Não vai terminar. Horas se sucedem, enquanto uns dormem outros cobrem as marcas com tinta preta. Um maldito pesadelo. Não há como sair daqui. O tipo de pesadelo que faz adquirir novas cicatrizes. O castigo por ter vivido toda a vida. Eis que me parece ser apenas o início desse inferno, pesadelo que atormentará até o último risco, até a última gota.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Aquela manhã..

Querer retornar ao ontem pra reviver o hoje. Ontem um dia inútil, perdido. Hoje que ainda nem acabou e já deixa saudades. Alguns poucos minutos o tornaram completo. O cinza dos céus. O verde dos olhos. Os cabelos ao vento. Melodias que pouco a pouco embalavam e faziam lembrar trechos de felicidade e dor. A presença real que era esperada aflitamente. Lágrimas escorrem pra lavar e abrir o caminho para o sorriso sincero. Era o medo ficando de lado, ele era pequeno demais comparado à aquele sentimento puro.

Retrocesso.

A areia escorrega vagarosamente de cima abaixo. A ampulheta que transporta um segundo a outro, grão a grão. O inesperado que se aproxima. Os olhos se fecham, e quando se abrem veem a mudança presente. O que era antes ficou pra trás , e nem que se tente o que passou volta a ser. O tempo tem pressa, corre e não olha o que deixou. A marca se faz presente, ardente. Registro do tempo que passou há pouco, agora já não se pode mais, e não há como mudar.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Do lado de lá.

A garota que necessitava te olhar fixamente nos olhos, pois transformava tudo aquilo em segurança. Os olhos buscavam se comunicar. Os braços necessitavam do abraço. O corpo que não se continha em permanecer do outro lado da janela. Pareciam sensações mútuas, sorrisos que em meio à turbulência mostravam o quanto é forte. Aquela garota já não temia mais nada, porque do seu lado ela se torna mais forte. A observação chega ao fim, é hora de partir.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

19:18

Mais perto do campo de libertação, as sombras laranja que se misturam fazem imaginar a chuva de novembro, brilha reina liberta e aproxima do tal. A noite que chega aquietando e instigando, brisa gelada que toca e traça uma direção. Cores dançantes se descobrindo e se apaixonando. Mais perto da verdadeira energia, se enxergando e com uma complexa indagação de si. Fazendo consumar o que realmente há, apenas com o olhar. Deixando a aproximação se completar, de maneira que seja boa a sensação de chegada da noite. Tímidos ventos tentam discretamente se apresentar. Eis o momento de observação e admiração, sem mais conter o que possa inspirar.

sábado, 15 de outubro de 2011

Free yourself.

Você acorda, olha, e ao seu lado a sua felicidade escapa. Porque você simplesmente tem medo de correr atrás dos seus sonhos. Cai e não quer se levantar. Chora e não tem força de vontade para sorrir novamente. Se esconde o que sente como quem tem medo de grandes tempestades. Mas eu não sou tola, você pode enganar à todos, mas não à mim. Você diz que somos iguais, que a nossa verdade é a mesma. Não, não é nada disso. Cada um nasce com a liberdade para traçar o próprio destino, para fazer as escolhas que o levará onde deseja, e você não pode mudar isso. Entenda a liberdade, a ame, só assim poderá entender a razão de estar aqui. Chore, grite, cante, corra. Se liberte, ainda há tempo. Nossos medos são reais, mas não fortes o suficiente para nos impedir de lutar, não quando se ama. E se não tem alguém a quem amar, se aproxime do espelho, mesmo com toda a imperfeição é a única pessoa que tem poder para mudar alguma coisa, se assim desejar.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

[DES]CONHECIDOS

Continuamos convivendo como desconhecidos dentro dessas falsas paredes construídas por você. O que eu tenho a dizer não é o que você quer ouvir, e quando for dito sua falta de compreensão causará desamor. Você não enxerga a verdade presente dentro de cada um, vive de aparências e dita regras que finge obedecer. Força o sorriso e diz pra mim que está feliz assim. O tempo passa e isso te destrói aos poucos, não percebe? Nos teus olhos dá pra ver, você não queria que fosse assim. Tem medo de lutar. De canto a canto a gente se esbarra, a cada dia me apresento de novo a você, mas você não conhece a verdade da sua própria criação. Desconhecidos.

TRUE LOVE.

Nem que eu queira controlar, nem que eu tente dominar, já é muito mais forte que eu. É quando os olhos se encontram, quando o coração bate mais forte, quando a ausência machuca, e quando o silêncio é suficiente para que haja entendimento. É quando fecho os olhos devagar e enxergo o verde que me guia, quando mesmo longe sinto a presença. É quando traço planos, quando desejo, quando sonho. É quando as estrelas me fazem lembrar, quando o sorriso é inspiração. É quando não se sabe mais conviver com a distância. É quando eu sinto. É sempre. É tudo. (eu não sei dizer)

Oito andares.

A sombra que resfria e escurece o coração. De um segundo a outro tudo transforma, deixa o corpo agitado, a mente obscurecida e negativa. Decorrência disso são lágrimas, escorrem rapida e involuntariamente para quem sabe lavar a alma, ou até mesmo arrastar essas estranhas sensações. A água contida, por motivos que permanecem guardados. Ou não. Quem sabe revelados agora? Ou não. Sensação estranha que já a algum tempo invade, é como uma gangorra, vai e volta sem que eu possa controlar. A razão disso? Não sei ao certo. Eu mais que à todos sou um mistério pra mim. Incompreensível. Caindo de um edifício de oito andares. É o que melhor representa. Sim, oito andares, o caminho traçado, uma regressão momentânea, instantânea. Inquietação dificilmente disfarçada. Hiperatividade que controla. Mascas que se estendem, sensação de falsa liberdade. Como durante a queda. Necessidade de uma presença. E ao mesmo tempo de ficar completamente só. Eu que melhor que ninguém deveria compreender e dominar, me encontro perdida nesse mistério que é o meu interior, o meu eu.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

" A noite expõe a nossa inquietação." (Sêneca)

Basta silenciar para sentir. Basta idolatrar e adorar para ver a mais profunda beleza da noite. Fechar os olhos devagar, abri-los e observar, a lua emergente reinando no céu, vagarosamente assumindo o seu nobre lugar: o topo. O brilho forte de uma estrela é rapidamente apagado, despencando feito gota, deixando pra trás a marca de sua existência pra talvez ser lembrada por alguém algum dia, porque no céu ninguém mais a encontrará. Bom é enxergar além do que os outros veem. Sentir além do que os outros sentem. A beleza natural, que não incomoda a ninguém, não pede a atenção de ninguém.. Apenas vive, talvez sem uma razão, talvez pra tocar ao fundo da alma de quem ainda não sente, talvez só pra iluminar mesmo. São visões diferentes. É a diversidade humana. Cada um com seu conceito. Cada um com uma razão. Basta erguer o olhar, deixar que o céu reflita o que por dentro se passa, aguardar o instante seguinte, e depois o seguinte, e o seguinte... A noite vem para que quem nela se alimenta possa se encontrar.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Bring me The Horizon.

O ar que precede a respiração.
O chão que precede o atrito.
O universo que precede o abrir dos olhos.
O horizonte que precede o pôr do sol.
O futuro desconhecido.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Realidade ou loucura?

Um mundo distorcido, o lado feio de tudo o que existe. Pessoas com todas as suas imperfeições, vivendo pra satisfazer a vontade de um alguém desconhecido. Como marionetes. Pobres marionetes. Será um deus? um mestre? um louco?       Quem?

        Pés obrigados a se moverem, vícios que são sustentados porque o mestre mandou, porque ele sente prazer ao ver o apego. Bocas que dizem coisas que contradizem com a voz do coração, apenas porque o mestre mandou. Quem é que coordena? Onde ele se esconde? Só sei que ele não sente dó. Escraviza a todos, os prende na agonizante rotina de ser o que não se é,. E ninguém percebe. Pode o mestre ser cada um de nós. Pode o mestre ser um alguém que se esconde por ser extremamente fraco. Pode o mestre não ser ninguém. Vertiginada. Inquieta. Pode tudo isso ser realidade, mas pode ser também uma loucura da minha parte.

No time for farewells, no chances for goodbyes. No explanations, no fucking reasons.


Silenciosamente observo e reflito. Permaneço na treva obliqua de montanhas altas e quietas. Banhada pela lua e pelas estrelas, deixo de lado o meu corpo delimitado, e fujo da realidade aspirando os últimos fios de uma ar purificado que espanta a lucidez. Uma beleza minha, extremamente íntima, que causa horror vista pelos olhos alheios. Apenas me jogo. Sem ver. Solta na brisa calma da libertação. Sinto. Minh'alma levantando voo silencioso rumo ao desconhecido.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Preto, azul e cinza.


A impaciência. Uma mancha na camisa. Uma roupa do avesso. Talvez pelo atraso. Talvez por não se importar muito. A incerteza de ter caminhado por cima de pedras até aqui em vão. A inquietude ao esperar por um momento que eu nem queria que chegasse. Muito tempo se passou desde a última vez que estive aqui, as coisas mudaram completamente, talvez não seja um bom momento pra voltar e revirar o fundo da caixa, trazer tudo de novo. Ter que falar sem olhar nos olhos como todas as outras vezes, por não querer ou não conseguir, sei lá. Espero encostada no banco azul. Observadora. O tempo passou. Pouco depois a cadeira chata e cinza. O olhar de quem tem o dom de entender estava confuso. Conversa vai e vem, e a complexidade de tudo a deixava com o olhar perdido. Por um lado confesso que acho engraçado. Mas não quero rir. Apenas caminhar sentindo o vento e absorvendo um pouco da energia desse dia bonito e cinza, observando carros pessoas lugares o mundo. O tudo.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Painel.


Num ambiente fechado, cercado de coisas boas e ruins, onde cada canto, cada parede tem um pouco pra contar. O olhar perdido acaba encontrando à sua frente fotografias. Fotografia, a marca e o registro do existente. O olhar diz tanta coisa, e nela fica registrando até que se queira, até que se rasgue ou que se queime. Dois olhares simultaneamente se encontrando, gritando um ao outro coisas únicas, caminhando no mesmo ritmo, lenta e calmamente absorvendo sensações. O espelho dos sentimentos, a linguagem silenciosa dos corações. Os olhares. Se entrecruzam. Se comunicam. Se entendem. Olhar. Ver e lembrar. Ver e desejar. Ver e sentir forte. Ver e involuntariamente sorrir. É o que meu coração deseja. Seguir enfrente cuidando sempre pra ter por perto o alguém que tudo mudou que tudo me fez sentir por quem tudo eu faria, sempre.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Nirvana.

E finalmente o vinho nos levou ao Nirvana! Os experientes e os novatos chegam ao mais alto nível. Cada qual brisando cada coisa, mas todos com o mesmo intuito, viajar na brisa ofegante que balança nossos cabelos!
É o mesmo vento que leva a maré de loucura e os pensamentos que vagam lentos num estado que talvez não entendemos.
Risos soltos, música e o barulho da sociedade que talvez um pouco nos assuste... Quando voltarmos ao mundo que se diz real. Mas agora não... a única coisa que compreendo é que longe daqui é onde estamos.
A brisa leve vem voando solta ao vento, transpassando o verde vibrante da árvore alegre, e também o marrom frio da árvore seca. No centro desse espaço é onde estamos, o limite entre a loucura do Nirvana e a lucidez dos galhos secos e móveis. A respiração palpitantemente aliviando é a marca, a marca do início, a marca do fim.


  Escrito com:  
                         -Thales Diniz      (http://thalesdiniz.blogspot.com/)
                         -Jéssica Rocha   (http://jessicarocha2010.blogspot.com/)

sábado, 24 de setembro de 2011

Reflexos.

É como um espelho,
reflete as sensações,
alegrias e tristezas...
Uma angústia que começa subitamente,
e em instantes já tomou conta de todo o corpo.
Involuntariamente. Necessidade da presença.
Desejo que só vai passar quando os olhos
puderem se encontrar mais uma vez,
quando os corações puderem se sentir
palpitando bem de perto. Um abraço
e tudo passa, tudo se acalma. É preciso
aprender a conviver com a ausência,
com o vão deixado pela saudade,
mas eu ainda não consegui.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A ponte.

Estaticamente observando, compondo um cenário que com certeza já existia antes, bem antes de eu chegar até aqui. Pessoas passam e observam, e como tudo na vida continuam em movimento. O que faço eu aqui? Ouvindo de tempos em tempos o barulho do trem, animais docemente vorazmente inconscientemente se expressando. Busco dentro de mim algum tipo de marca, algum tipo de conclusão. Pensando bem não é necessário. Continuo esperando, esperando pelo momento em que meu coração palpitará com uma súbita presença. Sentindo o vento levemente tocar e mover os fios de cabelo. Retrocedendo o tempo se assim eu me sentir melhor.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Insetos.


Seres imprevisíveis, se escondem de canto a canto, correm desesperados. Na escuridão é onde querem habitar, mas não têm sequer dignidade de viver por lá. Pois é o único lugar onde se arriscam a mostrar o que são, onde as faces adquiridas por toda a vida não têm mais valor, falsas faces. É na escuridão onde caem e morrem, esmagados no chão, procuram um último olhar de piedade. Não, não terão! Malditos insetos, covardes, fracos, fingem novos rostos, manipulam, tentam sobreviver pouco a pouco estruturados numa mente doentia. Malditos insetos!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A metade do caminho.

Talvez seja necessário apenas abrir uma brecha na janela,
deixar correr um pouco de ar,
ser tocada levemente pela luz,
renovar as forças,
e enfim,
ficar de de pé.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Energia.


Soprar gelado, a luz quase não aparece lá fora daquela janela... Vozes soltas, que passam quase despercebidas no embalo das sensações. Palavras surgindo de um universo individual, pensamentos correm por um campo verde, a leve brasa os aperta os passos, e correm soltos em busca de liberdade. Esse universo nunca foi compartilhado por inteiro, não é confortável descrever, é mais íntimo que as ideias, mais belo que o que vem do coração.é um universo paralelo, paralelo às minhas vontades, paralelo à verdadeira paz. Fechando os olhos devagar e os abrindo, levemente sentindo, brisando.

domingo, 11 de setembro de 2011

O tempo.


A cada ruído do relógio aumenta um pouco mais a aflição. Voltas e voltas constantes, levando a diante uma vida incompleta, que a cada respiração chegando mais perto do fim. Uma angústia toma conta por olhar pra trás e não enxergar nada que pudesse ter feito a diferença, dia após dia, o medo consome, a vida passa, folhas secas vêm e vão, mas permanece tudo estaticamente. Temendo. Descrendo. Levando a diante um universo próprio, de sonhos e loucura. Ideias íntimas, sentimentos compartilhados.
Tic-Tac, Tic-Tac. Perto um pouco mais do momento final, do último suspiro. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O medo.

Ele reina sobre tanta coisa.
Ele modifica faces.
Corrói o existente.
Inventa o impossível...                       O medo.

A barreira mais presente. Arranca a lucidez em um simples instante. Afasta os mais belos sonhos. Traz instantaneamente o sofrimento. Tão miserável, tão infeliz, o medo. Será impossível deixar de senti-lo? Por vezes me escondi, me afastei bruscamente de todo ele, mas fui incapaz. Na primeira esquina é ele quem encontro, é ele quem me acompanha por todos os caminhos, sempre presente, sempre afetando. Por ele me escondo, por ele me prendo à mim. Por ele sou incapaz de dizer tanta coisa, por ele continuo vivendo assim. O medo.