Ando com os sentimentos totalmente expostos no olhar. Qualquer palavra alheia me fere, atos então, formam cicatrizes incuráveis, que nunca me deixam escapar à lembrança e tal lembrança trás consigo lágrimas, que escorrem ardentemente pelo meu rosto, me arrancando a fantasia de um dia parecer forte.
Sombriamente eu caminhei, escondida num deserto de falsas ilusões. Por tantas vezes eu tentei sair daqui, juro, eu tentei, mas existe dentro de mim um entrave muito mais forte que eu, tamanha força que tornara inúteis todas as vezes que eu gritava socorro, todas as vezes que eu corria, que eu segui algum tipo de luz que me levaria para fora. Eu tanto quis entender os fatos, eu tanto quis mentalmente reviver aqueles momentos de felicidade. Por muitas noites eu perdi o sono, ansiava tanto lhe encontrar em meu sonhos, que me encontrava sonhando acordada, e aqueles momentos me supriam como se fossem a realidade.
Oh cruel realidade, fugi de ti encontrando em outros lugares um refúgio, escapei da tua verdadeira face, lhe coloquei uma fantasia irreal, tentei lhe modificar, e me encontrei aos prantos ao perceber que foi tudo inutilmente.
Oh realidade sombria, desejo aprende a caminhar contigo, no vazio das noites, no vácuo deixado entre a razão e a emoção, desejo aceitá-la da maneira que tu és, pois tão forte é a brisa que me trás ensinamentos.
Oh tão má realidade, por onde caminho não há luz, avisto seres reais e irreais, indo e vindo como as nuvens da noite, deixando as ruas como num passe de mágica inabitadas, trazendo o lado sombrio da solidão.
Oh soberana realidade, não me castigues mais, minhas forças se foram junto ao vendaval, não me castigues mais, sinto medo de perder o que ainda me resta, não me castigues mais!