sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Folhas secas.

As lágrimas correm soltas após tanto tempo. O corpo tremulo sem saber ao certo o que faz aqui. O soprar gelado do vento acolhe e sufoca. Viver em vão. Nunca fio o certo a se fazer, mas é certo que sempre foi o que eu fiz. Sem razão. Apenas por viver. Esperando a vida me surpreender. Ou surpreender a vida com a minha ida. Uma vertigem me impede de correr, levemente me tocando, ao imaginar o fim tudo gira mais devagar, como o vento correndo vagarosamente numa típica tarde de inverno, levando e sendo levado ao desconhecido, desconhecendo até então todas as razões. Folhas secas indo e vindo com tamanha liberdade, mas na realidade não sabem pra onde ir. Se escondem da conturbação, inabalavelmente permanecem sem rumo utopicamente fantasiando vivendo sofrendo se cansando... e finalmente partindo. Ou talvez parando. Morrendo em si. Se sufocando aos poucos. Vagando distante da lucidez. Se encontrando onde nada mais há. Um coração puro. Puro e morto. E longe dali, mãos cansadas recolhem aquelas gotas amargas,de uma ferida que há muito tempo se estende, se estende e a cada dia mata um pouco mais.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Brisas enluaradas.

Noite linda. Retorno ao lugar onde passei a maior parte do meu tempo até hoje, meu quarto. Agora ele é frio, vazio e morto. Me refugio aqui, nessa vaguidão existente entre essas quatro paredes. Nada mais existe aqui além de espaço vazio, silêncio, mais vazio. Tudo tão calmo que se torna inquietante. Com a janela aberta andei observando a lua. Não há nada mais belo, nada mais encantador. O luar traz de volta aquela paz que há muito tempo eu perdi. Me devolve por instantes aquelas pessoas que eu queria que estivessem aqui comigo. Não passa de imaginação. Me encontro distante da minha lucidez, me perco no desconhecido, apenas para cobrir esse enorme vazio. Porque se perder, ah se perder, muitas vezes é a melhor maneira de se encontrar.

domingo, 7 de agosto de 2011

Apenas vivo.

Eu busco me expressar de várias maneiras. Encontro em mim mesma uma forma de aceitar toda a realidade. Ou até mesmo de fugir dela. Minha mãe me chama de revoltada, meus amigos de louca, os desconhecidos diferente, e eu... ah, eu me chamo apenas de eu mesma, buscando uma forma alternativa de me sentir bem. E eu me sinto bem, com minha maquiagem na maioria das vezes forte, meus alargadores, meu skate, meu inseparável Rock and Roll... Eu apenas vivo. O que todos veem por fora é apenas a expressão de como eu me sinto por dentro. Sou assim. Tô bem assim. E não vou mudar

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Consumida.


Sufocada. Sem ar. Dentre quatro paredes, algumas dezenas de pessoas, todos sem saber ao certo o que fazem aqui. Olho ao meu redor, procuro um ponto fixo pra poder me apoiar, não há. Quero me levantar daqui, mas ainda não posso. Quero caminhar sem rumo pelos corredores e encontrar um abraço confortador, mas ainda não é tempo. Procuro então aquele sentimento dentro de mim, ele foi absorvido pelo desprezo, se perdeu entre as trevas que hoje me habitam. E a solidão já não me é positiva, no início ela me alimentava, mas agora é dificilmente suportada. Permaneço só, com a certeza de que é em mim que encontrarei as respostas que preciso, mas confesso, a solidão me consome.