sábado, 28 de janeiro de 2012

Vida!

Reconheço água limpa quando vejo,
água que cai e arranca a sede,
que reluz a ideia e o horizonte,
esperando dias como estes...

Me perdoa por negar o sol,
por fechar os olhos e ser tão crua,
e isso quando você precisou,
Estupefata no meio da rua.

Minha visão não me permitiu partir,
tinha terras e mares, céus e ares.
Sabor de irrealidade agridoce,
estão por todas as partes!

Vista-se com toda sua esperança,
esqueça a apatia e estenda sua mão,
Por aqui somos todos iguais,
irmãos de matéria e de coração.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Clarão

Como silenciar um coração que tem tanto a dizer? Passei a entender o silêncio quando me vi nele, quando deixei de força-lo e passei a senti-lo. A vida é tão bonita vista assim a fundo, nos olhos. Me desafio a viver todos os dias, a sorrir todos os dias, pois o sorriso é o caminho que leva onde se quer chegar. De olhos fechados, de braços abertos, estendo a mão à aurora que vem de um novo dia.  Terei sempre essa frágil mania de me levar e me transportar, pra perto ou pra longe, pra viver o horizonte, pra captar a luz que precede minhas noites sem luar.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Traçado.

É tão incerto quanto andar às escuras madrugada a dentro. Não se conhece o caminho, não se sabe onde vai chegar. Roubei o brilho das estrelas pra fazer delas meu universo escondido. Às vezes se me escondo é porque espero você vir me encontrar. Será que vem? O encanto é o esperar, é o não pertencer e ainda assim sentir.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Tuas águas.

Gotas de mistério e de um nobre sabor
Buscando algo que não se conheça
Na profundeza turva nada mais que dor
Temo encontrar e que não me reconheça.

Transformo-me em sopros de vento
Movo tuas águas antes tão calmas
Que saiba sentir tão longe o acalento
Me perco pra saber de verdade onde estás.

O silêncio de teus lábios é pura saudade
Te trago comigo pois de você eu preciso
Em margens tão calmas respira liberdade
Meu mundo e meu coração serão seu abrigo.

O sol se põe por não mais te ver
Enquanto tu corres para o tempo não alcançar
Proíbo-me não pensar para sempre ter
Repouso e sorrio pois é teu meu caminhar.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Contagem.

Preciso gritar, mas aprendo com o silêncio.
Preciso correr, mas não quero sair do lugar.
Quanto mais vivo mais aprendo,
Nada mais posso além de sonhar.

Tenho medo de falar,
Talvez por isso que me calo.
Sou como o silêncio do mar,
Silêncio gritante quando quero colo.

Preciso de calor e que seja de braços,
No escuro tempestativo descanso sozinha,
Sigo e aperto o passo,
Faço a vida que levo ser totalmente minha.

Mas não me deixo distrair.
Quero voar sem asas,
Simplesmente cair
E encontrar o que o tempo todo eu precisava.

Não te nego a palavra,
Digo sempre o que quiser,
Mas me leve pra casa,
Esteja onde estiver.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Caminhar.

Permaneceria de pé se lhe ouvisse gritar
Correria contigo por terras e céus
Seguraria a tua mão vendo o mundo acabar
Não direi, mas estes versos são teus.

As estradas por onde andamos se cruzam
Passado, presente, quem sabe futuro
Tudo se liga enquanto os destinos mudam
Perdidos e livres se alimentando no escuro.

Vejo além além de seu olhar
Sinceros, certos e incertos
A vida é longa e é bom se arriscar
Digo porque sempre esteve por perto.


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Sweet.

De repente a vida de novo surpreende, a água volta a cair, a essência deixa de existir. De repente a vida nos faz ser tudo o que já havíamos esquecido, e não há nada que agrade mais que a certeza de se pertencer. Posso estar nas águas mais claras ou sobre o verde da montanha, não importa, trago comigo o mesmo coração.

Voz.

Sou de forma e moldura inadaptáveis aos teus olhos. Meu grito esvazia o vazio e afasta a sordidez. Não me vê como sou, mas da maneira que esperava que eu fosse. Quando chego ao alto busco por ti, me engasgo com tanto ar, vou ao fundo pois foi lá onde me criei. Esvoaçantes sopros de vento tocam-me e me levam ao teu encontro. Tuas raízes ofuscam a todo ser, mas erguem-me e devoram-me no frio da neblina. Doce neblina embriaga-me e cega-me antes que solte as minhas mãos. Não temo se seguir sem ti de olhos fechados, vou onde a brisa ardente me arranca o suspiro e me deixa livre pra fugir dali. Posso, mas não fujo. Minha realidade me atrai e me distrai. O fogo me queima a pele é o mesmo que me abranda a alma. Se me perder nos sedutores abismos de minha solidão estarei enganando até a mim. Quero me conhecer ao menos, mais que ao vento, água, fogo e terra.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Palavras do existir

Dia e noite, metade a metade
Faces e facetas em cumplicidade
Temo o futuro e não sei dizer
Vivo e aprendo e se torna doce viver.

Nuvem que na verdade era sorriso
Bordado sincero, não porque era preciso
Pois a alegria está onde menos se espera
Em palavra, em pensamento e na montanha tão bela.

O relógio não corre porque não o deixo existir
Em mãos o que é meu e não deixo partir
Quero como quero o fazer sem restrição
Traço o incerto e chego ao coração.

Por hoje nada daquilo me afeta
Se sou então serei além daquilo que me resta
Branco também é vermelho
Tenho mais do que reflete o espelho.






   
(o sonho de chegar mais alto, a alegria de se sentir tocado.)