A primeira folha cai. Vem o medo. A pressa. A tolice. E junto a tudo isso, aquela louca euforia que de tanta luz ofusca tudo ao redor. Ego. Centro. O fim do que ainda não teve início, mas só pelo pressentimento, será que vale a pena arriscar todas as folhas que ainda irão cair? Tempo. Tempo.O tempo é mudo. O tempo, é tempo.
O tempo, para si, não representa nada. É apenas o sobrepor de tudo na superfície nula de linhas a serem escritas. Mas o tempo, por mais que não conheça a si, por mais que não acredite, é a vida que se constrói, é a sabedoria que se conquista, é o sorriso que se deu e que fica na memória. O tempo não cura, ele, por si só e em seu interior, apresenta ao ser o que coisa nenhuma fosse capaz de compreender: a força que se tem. O tempo gera consciência. No tempo é que se ganha a essência. Só o tempo é capaz de criar. Mas o tempo, quando se sente esgotado, se perde e se confunde. Assim como quem vive, o tempo precisa ser livre. Só em asa de liberdade, em palavras mudas, é que o tempo diz. O tempo tudo traz, e o tempo tudo leva. O tempo traz o que se busca, e mostra que sem esforço, o tempo parecerá inútil a aquilo que se deseja. O tempo é udo, se o tudo estiver no interior do ser.
E a dúvida de um tempo. Em qual espaço? Por que? Pra que? Será que vem mesmo?
Dúvida não. Dúvida é cruel. O que preciso, é o devido questionamento de tudo ao redor, em busca de sabedoria. Hoje sei porque o Sol brilha, hoje sei que é boa a água que cai, e hoje sei, que a folha mais bela, é a que primeiro vai ao chão. Da loucura, a certeza de viver, da loucura, o conhecimento do Ser.
Longas são as horas que pouco a pouco fazem amadurecer um pouco mais. Se existem erros ou acertos, o tempo no final é sempre o mesmo. Pobre de quem não se reflete em beleza do Sol que brilha, do pássaro que canta, da luz que tudo vê, do escuro onde tudo procria.
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