Sou de forma e moldura inadaptáveis aos teus olhos. Meu grito esvazia o vazio e afasta a sordidez. Não me vê como sou, mas da maneira que esperava que eu fosse. Quando chego ao alto busco por ti, me engasgo com tanto ar, vou ao fundo pois foi lá onde me criei. Esvoaçantes sopros de vento tocam-me e me levam ao teu encontro. Tuas raízes ofuscam a todo ser, mas erguem-me e devoram-me no frio da neblina. Doce neblina embriaga-me e cega-me antes que solte as minhas mãos. Não temo se seguir sem ti de olhos fechados, vou onde a brisa ardente me arranca o suspiro e me deixa livre pra fugir dali. Posso, mas não fujo. Minha realidade me atrai e me distrai. O fogo me queima a pele é o mesmo que me abranda a alma. Se me perder nos sedutores abismos de minha solidão estarei enganando até a mim. Quero me conhecer ao menos, mais que ao vento, água, fogo e terra.

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